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terça-feira, 17 de julho de 2012

Por trás do Mito de Deméter e Perséfone





"Feliz é aquele que dentre todos  os homens  vivenciou  os Mistérios. Aqueles que não foram iniciados, nem deles participaram, não irão usufruir da mesma sorte quando vão morrer e mergulhar na tenebrosa  escuridão”  - Homero.



A disseminação do mito de Deméter e Perséfone, concretiza-se com a vivência dos Mistérios Eleusianos, estes que possuíam  uma sacralidade de tanta valoração para o povo grego, que sem sua celebração anual, o mundo caíria no caos, Estes mistérios  tratavam  da iniciação dos indivíduos em  um cerimonial à longo prazo, dividiam-se em dois: Mistérios menores, vivenciados durante o período do equinócio de primavera,  que abordavam  desde o padecimento da carne para a chegada à Eleusis através da floresta , onde os candidatos vivenciavam a mãe terra em todos os seus aspectos e libertavam-se do primeiro estágio mundano; muitos autores relatam que durante este período da vivência os candidatos à iniciação faziam um sacrificio de um Porco - o animal consagrado à Deusa da Fartura dos Grãos -  e os Mistérios Maiores, acontecidos na época do equinócio de outono, regendo a descida de Perséfone ao mundo avernal e o primeiro domínio dos Demonios interiores

Com as invasões indo-européias e o fim da veneração do culto supremo à grande Deusa na Europa por volta de 2.500 a.e.c. A figura do patriarcado foi ganhado cada vez mais força, firmando no panteão grego um Todo-poderoso Zeus, que é concebido mais firmemente após as conquistas do sul europeu. Os contos ocidentais, tendem a separar as mulheres de seus seres amados ou seu objeto de felicidade, não diferente dessa influência; A virginal Kore é retirada dos braços de sua Sagrada mãe.
Deméter e kore, pertencem ancestralmente a tradições matriofocais, onde os mistérios passados se restringiam somente as mulheres, com a perpetuação e a pulverização de seus mitos, os mistérios eleusínos começaram a aceitar também todo aquele que falava grego e não tinha as mãos sujas por sangue.
O desenrolar do tempo trouxe o surgimento de novos Deuses que assumiram a forma das Antigas deidades femininas, incorporando seus simbolismos de uma forma de culto geocêntrica, Incorporando não só ao mito de Deméter e Perséfone  mas movimentos de raptos e estupros, tornando as Deusas sempre em um papel subjacente as divindades masculinas.
Seguindo por este caminho, o mito de Deméter e Perséfone é apenas uma releitura de convenções sociais enraizadas na psique, agora  já frágil; de mulheres que aprendem a servir sem questionar.
 O convite é para um novo olhar sobre o mesmo mito, tanto retratado por psicólogos, espiritualistas, antropólogos..

Do prisma  matriarcal que se reporta de maneira fiel aos antigos mistérios,
 A atenção está  no poder de  transformar regente da energia feminina e seu  ponto culminante é a relação 
saudável entre mãe e filha, as retirando então da figura subjugadas por Deuses masculinos.

 A Deusa no drama resgata a jovem Kore, que desceu ao mundo subterrâneo após ouvir o suplício dos mortos, de livre e espontânea vontade; quando ela volta do submundo vestida na face de Perséfone, já absorveu então a figura masculina gerando assim um filho, retratado futuramente como a ingestão de sementes de romã.

Neste processo, a transformação de Kore resguarda é a verdadeira consagração do mito. Perséfone,  Deméter e Hécate reforçam então a tríplice divinal da Deusa, como eterno ciclo de morte e renascimento.
E assim os mistérios eleusínos,perduraram por quase dois mil anos sem que ninguém revelasse seus rituais.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

sábado, 2 de junho de 2012

Trabalhando com Espelhos



Desde a antiguidade os espelhos causam frisson, inúmeras vezes utilizado para intermediar o entremundos, até hoje são uma ferramenta mágica  que revelam mensagem aos médiuns que os utilizam através de impressões  mentais e imagens, a natureza psíquica se torna perceptiva a energia sutil que emana, e quando bem direcionada é capaz de revelar até conhecimentos futuros.
 Dizia-se que espelhos muito antigos sempre traziam um mensagem ao ponto de muitos evitarem seu reflexo.
Mitologicamente, nos remete ao mito de Narciso, o homem que apaixonou-se pelo próprio reflexo, mas para além disso os espelhos são portais que intermedeiam dimensões, quando conscientemente direcionado, o sacerdote então é levado a um estado de indução mental parecido com o  do sonho, onde imagens se formam trazendo uma realidade espiritual, ou até mesmo um simbolismo necessário para alguma evolução.
Um dos oráculos mais delicados, os espelhos possuem uma egrégora iminente,  desde a madrasta má que recitava o : Espelho, espelho meu... Buscando informações; até a sua quebra trazendo o popular "7 anos de azar" , há indicíos que os mitos de azar relacionados a quebra de espelhos tenham se firmado devido a estes  manifestarem um meio de contato, entre os espíritos e encarnados, sua quebra então resultaria na quebra de um portal rompendo este vínculo com o mundo sutil, a partir desta crença então surgiu que qualuqer espelho quebrado, independe se estivesse consagrado ou não traria azar sob a ira dos mortos.
Há diversas técnicas de trabalhar com este oráculo divino, quem já não conversou com seu reflexo no espelho do banheiro? Ou por alguns minutos fitou-se buscando alguma coisa que nao sabia o que, espelhos nos halls de entrada, os de bolsa, os das águas. Todos eles possuem uma ligação energética, as vezes leve por serem excepecionalmente terrenos, ou até por terem criado uma egrégora de assombração, ou seja, quando a energia é colocada em demasia sobre um espelho muitas vezes uma crendice, que não era necessáriamente real, mas passa a ser devido a constância de reecriação energética implicada sobre ela.

Dentro da magia, o espelho é um dos últimos meios espirituais a serem trabalhados pelo caminho do neófito, pelo fato de serem portais e deverem ser muito bem ancorados pelos guardiões de quem ingressa no mundo dos reflexos, os espelhos podem se mostrarem completamente ilusores, pois recriam ações, são reflexo de quem se coloca diante deles. Por isso, a atenção é para o que se vai trabalhar, pois hoje é comumente disseminado o rito de puxar a lua para o espelho na wicca, e muitas vezes isto é feito de uma maneira negligente e sem conhecimento, o que pode causar malefícios para quem o faz, ao mesmo tempo que um hábil magista é capaz de trazer todas as bençãos que se manifestam quando a Grande mãe Lua desce  à terra.

Há meditações de sombra que são induzidas pelo espelho, mas pra quem começa já é uma boa pedida convesar com seu reflexo sob a luz da lua cheia, o que acaba muitas vezes trazendo um entendimento muito mais real e verdadeiro do que aquele que busca desbravar o entremundo com esta ferramenta santa.
Entre Luz e Sombra
Abençoados sejam.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dançando com o Animal de Poder.




A dança e a música estão intimamente ligadas com a expressão humana.  Os deuses antigos velam as artes desde o início dos tempos como maneira de exteriorizar a espiritualidade; ou seja numa concepção mais particular a arte é uma forma de ofertar a  manifestação do Deus interno ao grupo, e a maneira facilitadora de se reconectar à ele (a).
As formas de catarse, são utilizadas dentro do caminho antigo para que se possa reestruturar  os arquétipos conscientes, libertando dos grilhões  que mente impõe ao nosso corpo emocional e  espiritual e sem dúvida a dança sempre apareceu como uma maneira prazerosa de reativar o poder interno, manifestando assim a sacralidade que habita em cada um.
Dentro de diversas culturas espiritualistas, quando dançamos elevamos nossa mente a outro plano, nos facilitando o acesso entremundos, pois as danças ritualísticas não cessam até que a mente esteja completamente envolvida no círculo traçado e na atividade focada, não há espaço para obstruções de pensamentos e preocupações insignificantes.
O animal de Poder é uma das couraças energéticas que nossos guardiões utilizam para se manifestar, facilitando a comunicação entre guardião e velado ; as antigas tribos indigenas colocavam o animal de poder como parte do espírito representada de maneira selvagem, que acabava por compor o ser em essência, como energia que completa e facilita a intercomunicação com as forças naturais e sagradas.
Distante de técnicas e aperfeiçoamentos estéticos, as danças tribais reavivavam o ser humano em perispirito, trazendo a sacralidade à tona.
Quando se dança com e para os Deuses, sejam eles representados por animais guardiões, espíritos antigos ou forças naturais;  purificamos a consciência curando as mazelas que o atordôo diário infere.

Dançamos com o espírito guardião a  dança sagrada; que normalmente se dá ao redor de fogueiras em meios nem sempre ritualísticos, mas obrigatoriamente em  círculo; Pois como há muito se observa a existência é circular, ofertamos então nosso coração à  força criadora vital que nos rege e assim plena em gratidão ela nos corresponde. Entramos assim no processo de regeneração da consciência onde é possível repaginar antigas respostas que há muito flutuavam no rio da mente, que então poluído de obrigações e temores havia se tornado estéril.

Os Xamãs,  dançam para um determinado animal; reverênciam a energia que está sob o domínio deste; permitindo  através dos movimentos repetidos em sua similaridade,   serem abençoados por esta força .
Quando o dançarino está entregue,  coloca seu espírito para dançar junto e não mais a mente coordenando os movimentos, ele então é capaz de acessar a linguagem secreta da vida, que habita todas as coisas, pois assim como a existência, ele deixou-se fluir com o sagrado fluxo da fé.
A dança é simples, imita os movimentos dos animais, seus sons, as vozes da mãe natureza, normalmente  adorna-se como mais parecido com a energia animal se possa estar, tudo isso girando  em um movimento perfeito de coesão entre mente, coração e espírito.
Com o tempo e as ferramentas certas recebemos aprendizados destes espíritos, instrumentos de cura e até mesmo canções que podem ser entoadas durante essa dança sagrada, dessa forma a Grande mãe, o Grande mistério revela mais uma vez um de seus segredos..a simplicidade de estar em tudo e em nada ao mesmo tempo.



Abençoados sejam,

Moara Steinke.

sábado, 19 de maio de 2012

Eclipse solar 20 de maio de 2012

  



Evoluir é a lei. 



No dia 20 de maio desta ano ocorrerá um eclipse do sol às 20 e 54, no horário de Brasília; Com o avançar do ano de 2012, cada vez mais eventos astronômicos tem se revelado. Há rumores de que o eclipse de 20 de maio seria o tão esperado de dois mil e doze e não o dia do solstício de verão, como corre na mídia. Este eclipse ocorrerá à um grau de gêmeos e será visível apenas no Hemisfério norte.
A Lua passará em frente ao sol , alinhando-se à ele e ao planeta Terra, porém não o cobrindo totalmente, o que resultará em um anel de fogo, este fenômeno possui um especial reverbe no meio holísta pois estará alinhado com Alcione, a brilhante estrela pertencente as pleiades, localizada à 28 graus na casa de touro. Há várias teorias que colocam Alcione como o coração do Universo onde todas as galaxias se alinharam e surgiram, estando então nesta data a Terra de volta à seu alinhamento original , cobrindo o planeta de sua luz divinal.
Históricamente os Eclipses sempre foram fonte de temor, e durante este ano tão poderoso na egrégora mundial, ganham uma força especial. A origem do termo eclipse surge do grego tendo sua tradução por sem luz, referência ao sumiço do astro-rei, descartando em um primeiro momento os demais, pois a real definição de eclipse é quando um planeta¹ encobre o outro.
Energéticamente e pela leitura astrológica, a Lua representa o passado e o aprendizado já obtido pela alma enquanto o sol as aspirações do que devemos buscar, esse confronto de passado e futuro, resultará na revelação das primeiras sombras à serem trabalhadas, para atingirmos essa evolução que vem se manifestando em dois mil e doze. 
Posicionada no âmago de Touro, a Mãe cósmica determinou a evolução, cronologicamente e por uma série de temores da própria emoção, a humanidade focou sua atenção espiritual para 2012, Gaia em seu amor profundo pelos seus filhos deu a lentidão para essa transformações, inevitavelmente a energia amável residente no trono de Vênus, cobrirá a Terra, entrando oficial e finalmente na Era de aquário. A nossa galáxia leva 26 mil anos para completar a volta em Alcione, que dividindo pelos doze signos do zodíaco resultaria nos 2.160 de cada Era astrologica.
Não são previstos cataclismos, a não ser os internos. Todos esses eventos colocam a humanidade no caminho da evolução, para enfrentarmos e curarmos nossas chagas psíquicas e espirituais. Ou seja, a dica é: Comecemos limpando nossas mágoas profundas e já esquecidas que acabam tirando o brilho da vida, a partir de então busquemos esta conexão com a energia maior criadora. 
E quanto aos eclipses nunca é saudável que estejamos emocionalmente com pendências, com o copo cheio, pois ele transbordará, virará. Afinal de contas a escuridão da lua cobrirá o consciência do Sol, tirando do controle as emoções que foram amarradas e jogadas no fundo da gaveta... é necessário rumar a trilha da evolução.
Se quiserem detalhar mais a energia do dia, é só calcular o mapa com os dados do eclipse, e eu indicaria dar uma olha em Vênus,saturno e plutão que estão retrógrados e a posição de Quíron.

Então, vamos lá galera rumo à essa nova aventura espiritual com consciência e determinação,afinal são os desafios que os Deuses colocaram nos nossos destinos!

¹ - Lê-se por corpos celestes em geral.

Sem mais, 


quinta-feira, 19 de abril de 2012

A Deusa escura.




Muitas são as faces da Grande mãe que sofrem a incompreensão do patriarcado, mas nenhuma desprendeu tanto os seus ataques como deusa negra,mais do que uma manifestação de fé, ela é ferramenta que transforma nossa sombra em estrutura de poder.

Está manifesta no mistério incompreendido, que nos lança a própria escuridão toda vez que tentamos tocá-lo.

É a sua face negra, que nos acolhe quando habitamos a noite escura da alma, e em seu colo Ela lambe nossas feridas, quando com nossos corações aflitos, muitas vezes não a reconhecemos, a renegamos, seguimos o instinto da revolta e como animais feridos, atacamos. Fechamos os olhos para o mundo que não se manifesta fisicamente, é então que ela comprova: Mesmo desta forma seguimos sua trilha; na intensa noite ela se esconde e chama-se de o breu sem fim, a ouroborus, a vida que putrifica pra transformar e renascer, é ela que negligenciada e incontavelmente proíba, foi escarnecida e recriada pelo pendão da cristandade , e ainda assim sobreviveu aos ataques dos próprios filhos.
Ela nos acompanha pelos ritos de passagens, nos dias de prova, no último dia da labuta já exausta. Está no surto de revindicação do Poder pessoal onde que quando se manifesta gera espanto, a Grande Mãe Negra, é o desconhecido e intocável que emerge sozinho;o subconsciente.

É da escuridão profunda que surge a luz da vida juntamente com a resolução dos mistérios, e é por isso que mais uma vez no minguar da Lua me entrego em fé perfeita à floresta negra e absoluta da Grande mãe.
Reveindicando mais uma vez em seu nome, a sua sacralidade.


Moara Steinke




domingo, 4 de março de 2012

Os Dons das Bruxas e A Vecchia Religion


Todo aquele que começa uma caminhada espiritual traz no seu espírito um anseio de completude e mais que isso, busca um conhecimento de si mesmo e de seus dons.
Por muitas vezes durante o desenrolar da nossa existencia ouvimos que somos bom em algo, que seríamos ótimos desempenhando determinada função ou até mesmo que possuímos um dom.
A verdade está em que cada um dentro da sua individualidade ganha ferramentas para auxiliar na sua jornada terrena, inúmeras vezes estas ferramentas possuem um cunho terreno e não por isso desmerecido,pois sem estes facilitadores sociais que carregamos não estaríamos onde a evolução chegou.
Porém alguns carregam um dom espiritual e muitas vezes não visível aos olhos, o que não o anula, muitos dos indivíduos que buscam a espiritualidade buscaram em algum momento algo em que terrenamente fossem bons, mas não encontraram podendo cair no engano de não pertecer a ramo nenhum.
A bruxaria reconhece estes dons muitos antes que se pudesse criar alguma explicação racional para alguma facilidade, eles são um bônus para as bruxas, algumas os possuem outros não, nem por isso se tornam menos ou mais poderosos.
Cada ramificação de culto à Grande mãe dá um nome a eles , podem ser domínio elemental, também chamados de ferramenta de poder, mas o meu foco vai para Stregheria e os Dons de Aradia, conta a lenda que a filha de Diana, classificou os dons para facilitar o entendimento de suas irmãs.

Aradia é uma de nossas,como definiriam as religiões monoteístas, profeta, messias ou equivalentes, é filha de Diana e Dianus e alertou os homens sobre a importância da Natureza Mestra, das uniões em amor e sobre o perigo que os cristãos viriam a ser para as Stregas.
Ela definiu os dons no sec. XIV, ensinou que os poderes tradicionais de uma Bruxa pertenceriam àqueles que seguissem a Velha Religião. Ela os chamo de Dons e são eles:
1.    Atrair sucesso nos assuntos do coração
2.    Abençoar e consagrar
3.    Falar com os espíritos
4.    Saber das coisas ocultas
5.    Chamar espíritos
6.    Conhecer a Voz do Vento
7.    Ter o conhecimento da transformação
8.    Ter o conhecimento da divinação
9.    Conhecer os Sinais Secretos
10.  Curar males
11.  Trazer a beleza
12.  Ter influencia sobre as feras selvagens
13.  Conhecer os segredos das mãos.

Muitos destes dons são desenvolvidos ao longo da caminhada espiritual e da busca que é o caminho da Deusa, porém muitos deles se manifestam como facilidades inatas aos indivíduos. E por mais que os anos tragam uma certa familiriadade com eles, sempre haverá o que se aprender em relação e como aprofundar e desenvolver para servir melhor aos Deuses em auxílio aos Homens.
Quando estes dons começam a falar, sentimos uma vontade enorme de querer saber mais sobre eles, entender e dominar em uma busca incessante para voltar a tocá-lo e a senti-lo.
E assim que começa o Despertar das Bruxas.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Valores, dogmas e religião.

A banalização do sacerdócio de religiões que não são tão recorrentes, por muito me fez torcer e revirar o estômago, até que resolvi expor melhor tudo aquilo que penso.
Não é incomum a desvalorização pelo o que é feito através da arte, assim como os pintores que sofrem com quem por algum desvio prefere pagar replicas, a  apreciar a obra verdadeira, como os músicos que quando conseguem um emprego fixo, muitas vezes tem um salário amedrontador, assim é para aqueles que vivem da arte da Deusa, o fato de que religião, quando verdadeira não retira dinheiro nem posses de seus seguidores é uma das maiores verdades do caminho dos Deuses, porém o estudo e o desgaste empreendido para que pudesse se aprender a lidar com energia, como os cursos de terapias alternativas, as horas de estudo, o teto sob o qual esses atendimentos são efetuados, infelizmente custam dinheiro! Hoje muitos de nós, sacerdotes pagãos somos adeptos de trocas por quem de alguma maneira não é favorecido no movimento capitalista, e ainda assim acabamos taxados de interesseiros e muitas vezes fajutos.
Fajutos, são todos aqueles que se escondem atrás da hipocrisia de que não é necessário nenhum gasto para manter-se vivo. Felizmente a mãe-terra nos deu tudo o que hoje precisamos, porém as mãos que produzem e trabalham para que por exemplo, eu possa estar aqui sentada digitando isso para o mundo, vestindo as roupas do meu agrado e bem alimentada, precisam e devem ser retribuídas,  atualmente a moeda de retribuíção é o dinheiro. Durante muitas outras épocas consagradas vivíamos sim uma sociedade mais agrícola na qual a troca era o sistema dominante porém pouco evoluído.
Não vejo esse desabafo como uma justificativa, apenas me surpreendo com o quão bitolados, talvez por terem chagas psíquicas de traição e engano através de  projeções que vieram  à tona, alguns acham-se no direito de julgar.
A minha sincera resposta a estes irmãos, é que revejam seus conceitos e tirem a grade na qual aprisionaram seu coração. Nem todos são maus, de sanidade intelectual sugestiva e presos nos grilhões da matéria.
Quem vive da verdade dos Deuses, não teme os desafios dos homens. Ainda assim, penso ser de grande valia que reflita-se sobre esta questão antes de apontar culpados, afinal de contas o contranaturum  sempre estará nos rodeando tentando dilacerar a clareza da consciência.

Abençoados sejam,
Moara Steinke.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Previsões para 2012 - Ano da Lua.

O céu diz em 2012 que...

Será um ano regido pela Lua, na astrologia a regência da lua é o subconsciente, o plano intuitivo e nossas emoções profundas, sugere um ano de mudanças emocionais.
A Lua traz a influência, sendo dois mil e doze um ano completo de misticismo; a força lunar potencializa as crenças trazendo uma maré de ocultismo.
Estaremos mais sujeitos a mudanças e a procura da segurança emocional. É da Lua a regência do medo e dos fantasmas subconscientes, não é à toa que a crença do final do mundo tenha ganhado tanta força neste ano.
Este ano pede reflexão sobre si mesmo, ele empurra naturalmente para o abismo interno para que possamos curar fantasmas antigos. A satisfação emocional, os anseios e a busca pelo sonho também estarão com força este ano.
É um ano que inspira cuidado nas interpretações, pois tudo que está sob a força da Lua,é impressionável e mutante.
É um convite dos céus a reconhecer-se internamente, o primeiro passo para ser completo, ultrapassando os anseios da matéria.
Dois mil e doze é recepcionado pela face escura da Lua , ou seja, a lua nova. O que facilita ainda mais a busca do oculto e o encontro com o Poder interno, depois de todo o aprendizado obtido através desta viagem de resgate, chega a realização. Na bruxaria a Lua nova é uma das faces de Poder da Divindade maior, a realização não é isenta dos conflitos internos que ela gera. Porém quando vencidos os medos eles se tornam ferramentas de poder.
É um ano de renovação e de busca, reconhecido a si mesmo e os próprios desejos; Para que se possa então usufruir desta energia divina, que se oferta para um crescimento interno nos tornando seres melhores e mais felizes.
O arcano regente deste ano é o Hierofante, uma carta que representa conhecimento, enfatizando a busca do curador interno, ele é o professor que ensina os desafios da alma. É um arcano de esforço, pois o conhecimento só é obtido através do trabalho.É a cobrança de seguir o caminho correto e a punição pelo desvio. É necessário cuidado pois o hierofante já é o sábio o que pode desenrolar um sentimento de falso saber.
Na numerologia estamos sob a regência do 5, o movimento, a busca da perfeição e a interação social . Aqui, é o contraponto da busca interna que se manifesta nas de mais energias, como tudo no universo está em equilíbrio o cinco vem para facilitar o convívio. É um número que se liga ao plano material positivamente, pois é a formação do pentagrama. O otimismo que impulsionará a busca. O cinco impõe a mundaça e a transformação que podem gerar uma inquietação latente.
Portanto o aviso maior é: Cuidado com a impulsividade e ansiedade! Os desejos serão profundos mas é importante trazê-los para a luz da razão.
Faça uso da versatilidade e da criatividade que estarão presentes em dois mil doze para a concretização de seus planos!
Que os Deuses abençoem a todos nós, 
Um feliz ano novo.

Por @Moara Steinke e @Sandra Luiza

domingo, 23 de outubro de 2011

Dos ensinamentos que são passados, ficam apenas os que o amor compreende.

Em um conselho estão reunidas todas as avós da humanidade
Sentadas em uma mesa redonda debatem  a existência humana
A primeira evidenciada à curva do círculo é  magra e pálida, a escuridão de seu olhos revelam a profundidade da alma, chamam-na  Tristeza. Na roda, ela parece não se importar com a coexistência com as outras senhoras, contudo sempre que percebe a oportunidade  de se propagar e dominar a conversa, o faz, acabando com que todas levem a atenção à ela. Terminando desta forma  com qualquer outro enfoque. E quando revolta silencia a todos em um único gesto.
Sentada ao lado de Tristeza está à Dor, que jamais revela sua completa face, vestida de capas e capuzes mostra parcialmente o início do corpo , porém jamais por inteiro. Ambas convivem de uma maneira única, parecem encaixar-se no prisma do observador. Ainda assim , quando sozinhas não conseguem manter-se unidas, pois a Dor pouco depende da Tristeza , enquanto a Tristeza vê a essência de sua existência na colega e companheira dor.
Quando a senhora de corpo farto e roupas coloridas resolve se manifestar, por diversas vezes é interrompida pela Tristeza:
-Alegria, senta-te novamente! Não vedes que estás a desorganizar a ordem do círculo? Não sabes que foste abandonada e todos riem por comodismo?
Os risos que ela provocava fazia  a tristeza levantar-se indo buscar apoio com  a Inveja.
Sentada com um vestido longo e verde ela analisa à todas em silêncio. Percebe o domínio que a Tristeza impõe, o apoio da Dor para com sua fiel escudeira. O envolvimento que a Alegria traz, ignora o fato de fazer parte do conselho , pois seus olhos estão voltados para o externo, acaba assim se anulando e sofrendo por não estar ocupando o lugar de nenhuma outra.
Em tom de indignação a Tristeza lamenta:
-  Estás a perceber Inveja? Alegria, sequer importa-se com seus desígnios e seus obstáculos! Não posso deixa-la agir assim, vai acabar por me expulsar desta roda!
Sutilmente a Inveja desafixa o olhar do centro para Tristeza e responde:
- Tens absoluta razão Tristeza, o sorriso farto da Alegria há muito incomoda. Por que não te retiras? e deixa-me com a Dor? Quem sabe nós duas juntas possamos fazer com a alegria saia, a dor é forte e sei como incitá-la para que fique mais do que a Alegria jamais foi.
Tristeza reflete.
Do outro ponto da mesa, União em seu manto azul percebe a Inveja rondar a Tristeza, e já então acostumada com as peripécias da irmã, atravessa em direção à ela.
- O que estás a fazer Inveja? Enquanto não compreenderes que compõe este conselho e assimilar o teu poder interno a Alegria te doerá eternamente. Não a deixa corroer-te novamente, una-te à ela e sentirá que a angústia que carregas cessará . Enquanto a você Tristeza, saiba que antes que a Alegria pudesse tomar os corações, foi você que os estruturou para receber o novo, quem os fortificou e ensinou o caminho para que pudesse viver apenas com as tuas bênçãos e não mais com o peso de tuas mãos sobre os ombros, ensinaste o caminho para que hoje todas possam rir e agora queres que retrocedam para o processo inicial? Não deixa levar-te pela lábia da Inveja!
A tristeza repensa, e volta para o seu lugar.
Escondida entre a União e a Alegria, está Amor. É pequena de rosto fino e os olhos encantam à todas.
Quando Amor se pronuncia na mesa , imediatamente a Inveja retira-se pois não consegue conviver com ela, todos os seus pensamentos e intuitos são destruídos com a presença do Amor, que fortalece a União e incentiva a Alegria.
Amor ainda assim acaba por se indispor com frequência com a Justiça que anda acompanhada da Razão.
Enquanto para Ela , a inveja, a tristeza e a dor são aceitáveis, para a Justiça e  Razão elas são completamente dispensáveis. Amor então com frequência lança-se à frente delas e com a força que possui enfrente Justiça e Razão. Por vezes ela vence a batalha , mas há situações em que amor sente seu coração se enxer das vontades da justiça e equilibra-se com a Razão.
Eis que então forma-se a trindade perfeita: Amor, Razão e Justiça acabam por formar uma pilastra que sustenta todo grupo, ainda que eventualmente se digladiem são elas quem guiam o restante, e quando não ouvidas levam a mesa ao estado original de não iluminação, injustiça e desamor.
E girando elas se mantém, emanando toda a sua força para a esfera mundana, algumas ganham mais força com a vinda para a terra, outras diminuem o seu poder quando não escutadas de coração limpo. Ainda assim, todas são sacras e independem de sua originalidade energética, seja o amor, a justiça, a razão, a inveja , a tristeza e a dor trindades combatentes em constante conflito, elas se mesclam e se fundem trazendo uma nova realidade, cada vez mais diversa .
Pois a Vida, Sala onde está essa grande mesa redonda, é sempre capaz de criar mais coisas do que elas poderão imaginar, novos móveis, novos lugares, novas senhoras.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Bruxaria, a arte da Deusa.


Depois de coberta de rótulos, preconceitos e ideias arraigadas na tradição sobre a velha arte,  me sinto cada vez mais responsável, como sacerdotisa, em desmistificar a religião, trazendo a verdade da Deusa novamente à luz.
Nós não sacrificamos animais, crianças ou qualquer outro tipo de vida. Para nós a Deusa é a própria natureza e todos os ciclos são sagrados, não tememos a morte mas tampouco desrespeitamos os limites da vida, nos alinhamos com a mãe-terra e suas transformações durante a roda do ano. Ainda assim não nos alienamos da vida mundana.
Não acreditamos em um único  Deus, com poder coercitivo pelo qual deve-se seguir se não quiser arcar com a consequência de suas punições, somos politeístas reconhecemos a energia divina nas mais diversas facetas que ela se manifesta, na alegria da festa, no recato da casa, na honra do sacrifício e na força da vida. Diferenciamo-nos quando tornamos a face negra de nossos Deuses divina, e tiramos dela o ensinamento para evolução.
Fizemos rituais, pois é através deles que nos tornamos cada vez mais próximos de nossos Deuses ,ou seja, de nós mesmos. Através deste mecanismo racional nos libertamos das amarras terrenas para adentrarmos um plano divino onde a conexão com a sacralidade interna e externa se torna iminente.
Não julgamos, compreendemos. A bruxaria antes de tudo é a Religião da Deusa, e Ela é aceitação, o amor, a compreensão e ainda que seja também tudo o que putrifica, o negro que consome a vida para transformá-la novamente em plena. Ela acolhe seus filhos mesmo que eles o rejeitem como o ocorrido durante a consolidação do patriarcado.
Não adoramos , reconhecemos . Temos imagens, pois é através delas que religamos a mente e  a emoção. Compartilhamos de fé com a vida e a Terra, não vendemos nossos valores nem nossas crenças, não convertemos, explicamos a doutrina somente aquele que a desejar.
Sequer reconhecemos o inferno cristão, quanto menos suas criaturas.
Portanto , meus caros. Digo e continuarei afirmando: Sim, eu sou uma bruxa!
Sou uma bruxa, quando me entrego aos mistérios da terra e reconheço meus Deuses no meu dia-a-dia , quando não me entrego em conformismo diante dos desafios que minha Senhora desprende em meu caminho.
Sou feiticeira, quando reconheço a veracidade da energia que emana de cada ser e torno dentro do possível a melhor aceitação e controle desta.
Sou filha da Grande mãe, quando me entrego aos mistérios femininos e descubro que verdadeira missão em equilibrar caça e caçador.

E ainda que esta firmação de meus votos traga-me com frequência alguns inconvenientes, continuarei a fazê-la até que  verdade de minha fé, entrega e consciência seja reconhecida pelos homens, pois pelos Deuses, há muito os sinto em minha existência.

Em amor perfeito à irmandade que habita esta terra ,

Kandake 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A sacralidade do Sangue


Há muito tempo nas antigas tribos, indígenas ou não, a mulher era cultuada como a divindade e força de renovação da vida, pois era capaz de sangrar periodicamente e regenerar-se , não por ferimento,como o sangue masculino; mas um sangue sagrado, o sangue da Lua, que fazia todas sincronicamente em uma determinada organização social sangrarem juntas, pois se alinhavam uma com a outra e todas com a mãe lua que habita os céus.

A lua, principal ícone de simbolismo feminino é feita de fases...de faces,  assim como suas filhas, as mulheres, ela cresce e desabrocha em vida é aonde encontramos Kore  a faceta da Deusa Donzela que espalha a felicidade e a promessa;  dá-se então que o céu muda e a roda de prata começa a se formar, a lua está a encher, a Deusa agora é mãe, geradora da vida e passa essa energia de criação para suas filhas, é a face da mulher capaz de em seu útero metamorfosear as células em vida pulsante, no esplendor de sua plenitude, ela começa a minguar e envelhecer então torna-se a senhora sábia , aquela que já não sangra mais, mas que é capaz de guardar em si a sabedoria latente das outras faces.

Por fim a lua some. É Nova, Face da Deusa onde ela volta para si e busca o seu Poder interior, onde a própria divindade entrega-se a magia e aos feitiços.


Hoje, a menstruação é vista com olhos de uma sociedade regida por uma energia dominantemente masculina, aonde não se tem a real compreensão do que é a sacralidade do sangue, as próprias mulheres tiveram que se masculinizar para conquistar seu lugar social foi preciso vestir calças para trabalhar, para manifestar sua vontade, desconectando-se assim, aos poucos da grande mãe, ou seja, delas mesmas.

Foi então que começaram as dores, o desregulo, as infecções, a famosa TPM.

Estes nada mais são do que sinais do corpo, pedindo para reconectar-se com a sua essência, com a sua energia verdadeira, quando não se escuta o próprio corpo , ele  começa a gritar por atenção até que sufocado pelo domínio da consciência, adoece e lhe derruba, obrigando então a descansar e retirar-se da correria.

Os antigos chefes ameríndios , se auto flagelavam para entregar seu sangue aos deuses, com amor é claro, porém nós mulheres, temos esta oferta divina mensalmente e por vezes não lhe damos o verdadeiro valor, quanto mais conectada com seus ciclo.. menos dores.. menos dúvidas.. menos aflições.


Não esperemos mais  nosso corpo gritar por atenção , nem  esqueçamos de quem descendemos, a  dor  de começar a se reconectar é necessária porém o sofrimento  é opcional.

Há diversas meditações lunares que se pode fazer com os ciclos ,  o natural é que todas sangrem na lua nova ou minguante , que estejam férteis na cheia e comecem esta empreitada na crescente, contudo os anticoncepcionais e a quantidade de medicamentos, tornam artificiais os ciclos femininos.

Cabe somente a você decidir quanto tempo mais quer ficar em hibernação de sua sacralidade e poder, não é mais necessário esconder a feminilidade e muito menos reprimi-la.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Seguindo o caminho do coração, Seguindo o caminho dos Deuses.



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Somos filhotes... Filhotes de Loba.
Que carregam a essência da perspicácia e
ao mesmo tempo a pureza da juventude no coração,
Somos Filhotes... Filhotes de Ursa.
Carregadas com carinho pelo meio da floresta escura,
mergulhadas no rio de mistério que é a grande mãe.
Somos Filhotes.. Filhotes de Águia..
Enxergamos do nosso ninho seguro a imensidão da humanidade com a clareza e o discernimento dos fatos.
Somos Filhotes.. Filhotes de Dragão mágico.
Que se esguia entre as curvas do fogo do espírito deslizando de encontro a Deusa.
Somos Filhotes... Filhas dos bichos preguiça e da sabedoria ancestral que ultrapassa a existência humana.

Somos irmãs, somos um coração e um sangue em dois corpos...

Somos filhotes..Filhotes de Sandra Luiza
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O caminho da magia começa assim, resultado de bem-estar com aqueles que os Deuses destinaram a acompanhar-te na jornada da existência, se não os compreende e não os aceita, acaba por não aceitar a si mesmo pois é o que eles são, você.

O mesmo clã, a mesma raiz, e não é possível chegar aos frutos sem um caule bem alicerçado nas entranhas da Terra.


Estejam em paz, 
Com as Bençãos dos Deuses.


terça-feira, 14 de junho de 2011

Onde estavam as Deusas do mundo?

A Grande Mãe  é muito mais do que apenas uma divindade evoluída e cultuada pelos pagãos e neopagãos, ela é a energia criadora e a força que habita cada uma das mulheres e homens, após a era matriarcal ela adormeceu no ventre da terra esperando o momento certo em que tivesse sua arte novamente revelada, mas isto não significa que ela desapareceu completamente, pelo contrário, Ela acompanhou a humanidade em cada passo em direção à evolução e em cada retrocesso...
 Em 30 de abril de 1977, um grupo de mulheres vestidas com lenços brancos protestou em frente à casa rosada, na Argentina. Elas pediam pelos seus filhos desaparecidos durante o regime militar. Os argentinos viviam uma ditadura terrorista mesmo assim, isto não foi o suficiente para impedir as mães, que em seu protesto desafiaram o poder ditatorial no auge de seu comando. O movimento começou com 14 mulheres desesperadas e sem temor algum, desafiando a face da morte, fizeram seu manifesto na praça de maio em uma quinta-feira, depois na próxima quinta-feira e assim sucessivamente, chegando a centenas de mulheres. 
A face mãe da Deusa estava presente nos corações delas, como quando Deméter se submete a deixar a morada divina, sujeitando-se a viver entre os homens, buscando auxilio para entrada nas profundezas do Tártaro atrás de sua filha.
Na guerra do Paraguai, muitas das mulheres que acompanhavam seus maridos, depois deles estarem mortos, pegaram as armas e foram à batalha, incorporando a face guerreira da deusa, ou quem não já ouviu falar de Anita Garibaldi?! A  revelação da face  Ártemis guerreira, que não se prende ao lar em busca da aventura dos bosques. E que tal a sedutora Cleópatra, face da Deusa negra, pincelada com doses de intelecto profundo?
Madre Teresa de Calcutá, manifestação de Héstia, aonde abdica de si em prol dos outros, servindo assim a sua chama da lareira ao planeta. 
A Deusa sobreviveu entre os homens mesmo durante a era patriarcal ela revelou sua face nas mais diversas mulheres do mundo, mas não foi somente as grandes mulheres consagradas na história que personificaram a face da Senhora da vida; há muitas manifestações Dela entre nós, nas Sandras, Sharas, Karolinis ,Anas, Tatianas e Tânias.. Todas elas vivenciando em seu destino o caminho de sua deusa interna e externa.
 Ela está manifesta nas mães arredias, nas avós conselheiras, nas filhas compassivas e nas revoltas, na irmã e na amiga,  é desta ótica particular que Ela tece nossas vidas, nos analisando em seu camarote emocional. 
Ela habita a batalha de cada novo amanhecer que brota com a força do crescente lunar: a donzela, guerreira e batalhadora, está na maturação do corpo , quando a idade em seu ápice de poder nos torna sedutoras, envolventes, audaciosamente férteis e no minguar, no decrescer natural do estágio da vida, adentramos então as portas da sabedoria eterna aonde somente a crone é capaz de habitar sem ferir-se.
A sacralidade da Deusa está no dia-a-dia e nos grandes eventos, na solidão profunda que entorpece alma transformando esta em sabedoria, no pulsar da vida que brota pelas faces coloridas de mulheres que se entregam ao caminho que lhes pertence.
Por isso, não há parte de nosso corpo que não seja sagrada  e nem atitudes tomadas em base de nosso amor que não seja habitada pela essência divina, o cristianismo em sua maioria esmagadora transformou a mulher em portadora do pecado original e mesmo que lutássemos contra isso o inconsciente coletivo acabou nos sabotando, hoje já tivemos o despertar de nossa centelha divina, não sendo mais necessário nos deixarmos abater por ideias e ideais pré-estabelecidos e sem nenhuma consciência.
 O poder de regenerar, de gerar vida, de entrar na batalha, de ser consciente é nosso! Não o neguemos mais e o sofrimento cessará!
  Abençoadas sejam... Filhas da Deusa!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cristaganismo: Entre a Bruxaria e o Patriarcado



Caminho pela estrada da velha arte há alguns anos já e nesta pequena jornada, pude encontrar os mais diversos tipos de seguidores da Deusa, alguns  intensamente devocionais e de entrega completa, outros seduzidos pelos mistérios que a grande mãe mergulha em seu caldeirão da iniciação, algumas mulheres exacerbadamente ativas , buscando na face da Deusa reencontrar elas mesmas.. e por que não homens exacerbadamente passivos  buscando na fé antiga uma maneira de equilibrar as suas polaridades?

Fato é de que todos nós buscamos nos ligar com o divino que nos habita, não só na religião da Deusa, mas como em  toda aquela que entende o humano como parte do sagrado e faz de  seu corpo a morada dos Deuses.


Nesses anos de iniciação, vivenciei algumas atitudes no círculo de seguidores dos Deuses antigos, pude perceber o quanto a sociedade patriarcal foi capaz de influenciar nos antigos dogmas exercidos pelos ancestrais de nossa existência.

Hoje, presenciamos uma releitura da arte antiga que sobreviveu mesmo tendo sido dilacerada pelo patriarcado, não é  exigência querer que nos portemos como o que é nos ensinados nos mistérios da primeira iniciação, pois todo aquele que jurou seu caminho a bruxaria antiga, não deve de maneira alguma passar por cima dos princípios básicos que regem a mãe de toda vida.

Dela é a força do amor e da compreensão, mas jamais a submissão e o excesso da passividade, é dela o campo verde e frutífero mas não lhe pertence a falta de garra e de trabalho, em sua face negra lhe é pertencente o poder da magia, porém nunca  a demonização da sua essência divinal.

A Mãe nos presenteia com a dádiva da vida e desta terra capaz de morrer e renascer constantemente em seus ciclos naturais, e algumas ramificações atuais da arte esquecem-se da essência que une todos aqueles que destinaram seus caminhos aos deuses. Apegando-se a rótulos patriarcais que colocam a bruxaria como algo negro, fantasioso e possuído por demônios aonde não é habitável a honra divina.

Estes, não são seguidores da fé antiga.

A Deusa é sim reflexo da luminosidade, o espelho solar; mas de maneira alguma deve-se confundir a sua obscuridade sagrada com nomenclaturas cristãs de inferno e demônios; e por mais absurdo que isto possa parecer já encontrei bruxos que se diziam manipuladores de forças malignas pertencentes ao tártaro.

Meus caros, a bruxaria não é negra... ao contrário suas divindades são o princípio de luz que gerou vida na terra e no universo.É lamentável que ainda hajam pessoas desta estirpe disseminando a bruxaria desta forma a quem chega.

Contudo, a irmandade da deusa não é só feita de perdidos e sem foco religioso. Em um dos últimos eventos pagãos que pude encontrar-me com outros iguais a mim, percebi o quanto de pureza e fé ainda há em quem verdadeiramente abriu seu coração à mãe antiga. Agradeço a eles, ou até mesmo a você que pode estar lendo este texto e que entrega seu coração e vida completos para os Deuses.. por espalhar a verdadeira semente da Rainha das Bruxas, Senhora dos Destinos, Mãe da vida, Espiral da morte. Não entregando a honra do nosso caminho em mãos sem destreza ou verdadeiro conhecimento algum.


Abençoados sejam, todos aqueles que errônea ou verdadeiramente seguem o caminho da Deusa, pois ouviram o chamado Dela , logo não cabe aos filhos julgar o despertar da mãe, ainda assim é honrável e valoroso que os mais antigos apontem os caminhos a serem seguidos por quem começa a caminhar.

Abaixo um vídeo da um ritual magnífico da 7º conferencia de wicca e espiritualidade da Deusa.. exemplo de entrega aos deuses...



Hoje e Sempre,

Moara Steinke

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Samhain - O Ano novo das Bruxas

O Ano acabou é o fim da roda.. e o começo de outra, confesso que por vezes publico algumas reflexões sobre a minha vida mudana neste blog, mas também tenho ciência de que é raro, ainda assim Samhain , impele o mais retraído dos indivíduos a refletir sobre a Roda que se passou, e é fato de que sofri um processo violento de morte e renascimento, não é a toa que os Deuses mandam aquilo que seus aprendizes podem suportar. Não questionei mais a vontade divina apenas quis entende-la como processo natural da busca e a minha mais nova inclusão no meio acadêmico obtive muito mais acesso a teses e dissertações científicas. Apesar da minha contínua busca pela compreensão dos fatos indesejáveis que se sucederam na roda que está fazendo sua passagem acabei encontrando o que havia perdido há muito tempo..

Eu mesma.


Por certo agora havia encontrado alguém suficientemente interessante para começar a desvendar, cheia de desafios, pensamentos, desejos, vontades... Então iniciei a busca daquela que eu há muito havia me esquecido, mas que a Senhora consagrada em ágape  despertou.
Caminhei pelos caminhos do elemento Terra e compreendi a essência da vida e do corpo, base sustentadora  de qualquer jornada espiritual que se inicie, neste mistério descobri  que muitos daqueles que trilham o caminho comigo ainda prendem-se as amarras terrenas demasiadamente a ponto de continuarem acorrentado nos grilhões do materialismo.
Obtive deste mistério a compreensão dos ossos...
Ossos. Aqueles que estruturam a vertente da alma, o fio da vida destilado no nosso corpo precisa de algo que o sustente,  os ossos são a raiz do self, do verdadeiro eu, conta uma lenda hispânica que há uma mulher velha , de corpo farto e muitos pelos que vaga pelos bosques recolhendo os ossos principalmente os dos Lobos, reza o mito que ela depois de unir todas as partes , ascende uma fogueira e começa a clamar pelos deuses, os ossos começam a se encher de carne e a criatura começa a criar vida e quanto mais  ela clama mais vida  o lobo possui até que em seu ápice o animal solta a respiração e salta de volta para a floresta.
A Lenda de La loba  é  o canto para os deuses,  a libertação e aceitação do que você verdadeiramente é quando ela canta, ela implora que as divindades voltem a conceder o dom da vida para aquela criatura pelo o que ela verdadeiramente o é, a fogueira é a materialização da transformação que é observada durante este processo.
Hoje a psique femina sofre muitos ataques que dilaceram as carnes e espalham os ossos, o despertar da Deusa permite que tenhamos a primeira consciência de buscá-los, para que então possamos gritar para o universo que mulher somos verdadeiramente e em essência.
Foi então que transcendi a aceitação de meu corpo, tomei a vida em mim... e me tornei capaz de caçar meus objetivos, de alimentar um consorte e consolidar minhas metas.

ESSE PUNHADO DE OSSOS 
Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
e príncipes e bispos e donzelas,
mas de todos a morte apenas fez
a tábua rasa do asco e das mazelas.
E ai, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos choram.

(Ivan junqueira)





Caminhei um pouco mais e alcancei as portas do Fogo, portal de libertação .. onde obtive a real liberação de tudo aquilo que não me pertencia .. presenciei neste, o reencontro com um caminho ancestral e amigo: O Caminho Vermelho, que me mostrou o verdadeiro sentido de irmandade, por ele também passei por processos de cura um tanto quando densos perto da minha vivência anterior desta tradição.

No fogo do espírito não há espaço para a vaidade e retração mas sim  única via ; a da aceitação, nesta jornada aprendi que nem sempre a pompa é o real poder, e que há pessoas simples, de pouco brilho que carregam em si um grande potencial espiritual trazendo no bojo de sua palavras uma sabedoria ancestral.

Aprendi jargões, costumes, ritos, rezei madeiras, lavei-me com a água da vida e então, adentrei mais esta aventura de coração limpo.
Fui presenteada nesta leitura  com o cocar, pois o processo do temazcal já havia sido concluído e não fora necessária a subida da montanha através da busca da visão, descobri no sopro da chanupa o ensinamento do velho,desci dos pilares de ostentação ao qual havia há muito tempo sido apresentada.
Me tornei uma igual. Uma Guerreira de uma terra de Tupã, cantei com os indíos.. abri trilhas , provei das suas medicinas.. me senti cada vez mais perto de eu mesma .

Aprendi com eles a canção que fala mais alto entre todas.. a canção do coração , da familia.. que compõe a unidade e transforma em sagrado : a mãe, o irmão, o amigo , o companheiro, os próprios deuses e esta é cantada de mãos dadas, como deve ser . 

Fui águia e golfinho, onça e beija-flor.. deixei a força que lateja em mim me guiar.. e por inúmeras vezes ela recebeu o nome de amor.Um ensinamento foi-me passado por um senhor de muita sabedoria, que  diz enquanto você cantar dentro de você ninguém poderá tirar sua voz. 

Fui Guerreira , lutei com a bondade do meu peito e com os dons que me concederam..olhei para todos nos olhos e me coloquei no círculo e jamais numa piramide.

Desvendei o ego no fogo, o libertei antes que ele próprio me levasse a sucumbir.

Com os pés cansados da dança os levei até  a força da água ,mergulhei então nas profundezas do útero da Grande mãe, era necessário ouvir a sua voz , pois era ela a quem guiava meus passos, vi muitas pessoas se aproximarem com o intuito do Urso, companheiro e guardião que ainda não controla seus instintos, nos mistérios da água fiz minha casa e a observei moldar-se passar por vários estados desembocar em oceano.
Vi a vontade e o querer moldar o desejo. Vi o amor se torcer até perder seu sentido.

No entanto o ensinamento primordial do oeste , direção está consagrada pela Bruxaria Tradicional ao elemento água, é aprender a moldar-se conforme ela , não a nada que a agua fira diretamente , entretanto quando desafiada sufoca até o mais desenvolto nadador.Ela pode ser a chuva que transfoma a terra em fecunda, o temporal que a energiza.. mas pode limpar civilizações inteiras.



Já limpa de algumas das mazelas da alma e compreendendo a desenvoltura da água, pude andar mais.. e cheguei ao Ar.
Descobri nele a casa de minha Senhora.. de minha Deusa.. aceitei por fim os Dons a mim destinados e resolvi fazer usufruto deles para o meu Bem e dos meus , pelos sinais das fumaças e dos ventos aprendi a ler o tempo correto de se agir, racionalizei como um coiote velho.. e abri seus portões tendo meu uirapuru , guardião consagrado a este quadrante, por irmão.




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Honrável Donzela Caçadora

As Flechas de Ártemis


Ritualizar nos conecta não só com a face terrena de nossa existência como também abre caminho para as portas de nosso mundo espiritual, quando nos pré dispomos a uma vivência estamos nos permitindo equalizarmos com o que há de mais natural e puro em cada ser, todos possuem uma face divina que deve ser cuidadosamente analisada e retirada da hibernação.
Quando nos permitimos sentir e nos unificar com determinado espírito natural juntamos nossa essência com aquela que já há na natureza, podendo assim, futuramente identificar os caminhos que depois de tais vivências já foram assimilados, aprendidos e vencidos.

A deusa protetora da caça e dos partos também é reconhecida pela sua face libertadora, sendo relacionada ao quadrante leste  nas mais diversas ramificações da wicca e bruxaria, Ártemis é a representação da energia selvagem da Grande Mãe, a guerreira destemida , a eterna donzela que traz o sopro da vida.

Irmã gêmea de Apollo, personifica a liberdade feminina e reencontro com a criança interior que habita em cada mulher, esta antiga Deusa da caça foi retrata pelos gregos como a padroeira das filhas da Lua, compondo juntamente com Selene, a rainha dos céus e  Hécate, a Senhora o submundo,a tríplice grega.
Ártemis é a eterna antítese presente na alma feminina, é a Deusa da caça e aquela que protege os animais, da castidade que honra os ritos de fertilidade.

É o princípio a força e da criação, foi honrada em diversos ritos gregos, e teve como pré-requisito aos seus sacerdotes a liberdade eterna. A  Deusa da Lua se faz presente diante de desafios e do que é novo e desconhecido, punindo os que se esquivam do destino traçado para ser vivido e apoiando aqueles que como ela, decidem deixar comandar a sua face Guerreira, Ártemis é mãe que cuida e põe limites mas também é aquele que protege e intervém a favor dos homens para os com Deuses, a filha de Leto é a representação das mudanças de fases da vida.

Princípio do Mito


Filha de Zeus e Leto,esta divindade nasceu na ilha de Delos e era a personificação da pureza e da castidade, protetora dos jovens e das donzelas que conservam a inocência e virgindade. Sua mãe, ao ficar grávida, despertou a ira de Hera, esposa de Zeus, e por isso foi perseguida por ela de tal forma que quando se aproximou a época do parto, lugar nenhum aceitava recebê-la por temer a vingança da deusa. Somente na ilha de Delos ela conseguiu abrigar-se para dar a luz aos gêmeos que esperava, mas como Ilífia, deusa dos partos e filha de Hera, foi retida pela mãe no Olimpo, Leto ficou sozinha. Ártemis foi a primeira a nascer, e então ajudou Apolo a sair do ventre materno. Testemunha das dores sofridas por sua mãe no momento do parto, Ártemis desenvolveu em razão disso uma enorme aversão pelo casamento, obtendo de seu pai permissão para não se casar e permanecer sempre casta. Essa foi a razão pela qual recebeu dele uma comitiva formada por sessenta ninfas do mar chamadas Oceanias.
Ártemis ,deusa da caça e a mais pura e casta das divindades, sempre  foi uma fonte inesgotável da inspiração dos artistas. Ela era, ao mesmo tempo, nobre e bela, severa e elegante, ofuscando com sua presença todas as ninfas que compunham o seu séqüito.
É representada, como caçadora que é, vestida de túnica, calçando coturno e trazendo a aljava sobre a espádua, com um arco na mão e um cão ao seu lado.


Vivênciando a Face Donzela da Deusa

A lua em seu crescer, personifica a face casta e livre da Deusa, espere um dia em que possa reconhecer o crescente lunar , fique em um lugar aberto e faça seus pedidos a ártemis enquanto a invoca através de sua dança sagrada ,com movimentações similares a de quem defere uma flecha em direção à lua.

Artemis é objetiva e tenha certeza de seus pedidos e esteja convicto.

invoque -a para: tornar-se independente , ou livre de algo que o estagna, atingir objetivos e metas

suas cores são :
o Branco representando a castidade da Donzela e o verde a ligando-a com a face da caça.

aroma : artemísia